MENSAGEM AOS PAIS


Mensagem aos Pais

A vocês, que nos deram a vida e nos ensinaram a vivê-la com dignidade, não bastaria um obrigado. A vocês, que iluminaram os caminhos obscuros com afeto e dedicação para que os trilhássemos sem medo e cheios de esperanças, não bastaria um muito obrigado. A vocês, que se doaram inteiros e renunciaram aos seus sonhos, para que, muitas vezes, pudéssemos realizar os nossos. Pela longa espera e compreensão durante nossas longas viagens, não bastaria um muitíssimo obrigado. A vocês, pais por natureza, por opção e amor, não bastaria dizer, que não temos palavras para agradecer tudo isso. Mas é o que nos acontece agora, quando procuramos arduamente uma forma verbal de exprimir uma emoção ímpar. Uma emoção que jamais seria traduzida por palavras. Amamos vocês!
PAIS PERMISSIVOS E PAIS AUSENTES
Fernando nasceu num berço de ouro. Primeiro filho, primeiro neto dos dois lados, materno e paterno. Foi desejado após um longo período de tentativas, até que sua mãe conseguiu engravidar.Quando ele nasceu, seu pai tinha trinta e nove anos e sua mãe ia fazer trinta e três. Ambos eram funcionários públicos de nível superior.Ganhavam bem e suas respectivas famílias originárias eram abastadas. Eram solteiros e ainda moravam em casa dos pais.Seu nascimento foi uma grande festa. Visitas intensas à sua casa, sem parar. Presentes dos mais variados tipos. Houve até quem trouxesse presentes para as idades de um, dois, três e até quinze anos. Ele foi criado com tudo a que tinha direito e com o que nem sabia que tinha.Seus pais não se preocuparam em avaliar a capacidade do filho em ter tanto em tão pouca idade. Não saberiam dizer qual o grau de desapego do filho nem se ele tinha maturidade para tantas benesses. Não observaram se ele cuidava de seus pertences, pois da mesma forma que ganhava, os abandonava.Na adolescência, seu pai se preocupava mais em agradá-lo do que em lhe transmitir valores morais superiores. Orgulhava-se dele, pois era querido por todos, muito embora sem mérito pessoal demonstrado. Antes de completar a maioridade, ganhou seu primeiro carro, que era trocado a cada ano.Mesmo sendo criado com tantas facilidades e estimulado ao pouco esforço pessoal, Fernando conseguiu, pelo seu próprio mérito, chegar à Faculdade. Formou-se em Direito graças também às facilidades que sua Escola permitia, não lhe dando um ensino de qualidade e sendo pouco exigente nas avaliações periódicas.Porém, na hora do desempenho profissional, ele se mostrava indeciso, inseguro e imaturo. Chegava a ter medo de fazer audiências. Tornou-se um profissional incompetente e despreparado para o exercício profissional. Restou a ele dedicar-se a um concurso. Porém, ao começar a estudar, percebeu que não tinha base suficiente para entender os assuntos de Direito requeridos pelos programas. Sua ‘salvação’ foi um colega, filho de um grande amigo de seu pai, que o convidou a dividir um escritório com ele. Foi graças a esse auxílio que Fernando arranjou alguns clientes e, valendo-se da experiência do colega, conseguiu estabilizar-se na profissão.Embora tenha méritos para chegar aonde chegou, ele foi ‘prejudicado’ em parte pelas facilidades que recebeu.☯A psicologia humana requer uma compreensão além dos limites do corpo e da vida material. Por mais que se queira buscar na vida atual as causas dos conflitos, como também as explicações para as particularidades da personalidade humana, não se atingirá a essência da qual ela se constitui.O ser humano é movido muito mais pelos conteúdos inconscientes do que pelo que lhe é estimulado na consciência.Quanto mais ele tiver contato seguro com aqueles conteúdos, mais equilibradamente encontrará a felicidade que busca.Quando os pais flexibilizam por demais a vida de seus filhos, evidentemente por amor a eles, o fazem segundo contingências também inconscientes a que eles próprios estão submetidos.Estão compensando situações cármicas nas quais se envolveram com seus filhos e que interferem na forma de educá-los. É fundamental que os pais tentem, simultaneamente à educação que dão aos filhos, resolver seus próprios processos internos para que não se alienem de si mesmos.A permissividade excessiva ou a ausência ocultam a falta de autoconfiança e de segurança, devido à deficiência na estruturação do psiquismo dos pais quanto a sua auto-estima. O permissivo ou o omisso não se sentem capazes de sustentar uma decisão, uma postura, uma norma. Temem ser questionados e serem obrigados a justificar seus comportamentos. Não impor limites ao outro e não interferir em sua vida são defesas para que também não interfiram na sua própria. O permissivo e o rígido são duas polaridades opostas que refletem apenas formas externas de reagir ao mesmo tema – o medo, a insegurança, a fragilidade interior.O caminho de resolução de ambas as polaridades é o mergulho na própria sombra para identificar as matrizes geradoras de tais padrões defensivos e a disposição para transformá-los através da vivência de novas experiências estruturantes.O campo psicológico do ser humano é seu mundo real, no qual encontra tudo de que necessita para entender o que se passa no externo.Os filhos projetam nos pais seus desejos e se nutrem de suas expectativas em relação à vida. Quanto mais lhes favorecemos mais devemos mostrar-lhes as obrigações que devem cumprir.Quando não mostramos e acompanhamos essas obrigações, eles se tornam vulneráveis psicologicamente nas ausências e impedimentos de seus pais.
Pais que tendem a ser permissivos com seus filhos contribuem para que eles, na adolescência e na adultez, tenham dificuldades em estabelecer limites ou adequar-se aos mesmos. Por vezes, também, tendem à irresponsabilidade e à fragilidade ao enfrentar as dificuldades que naturalmente a vida impõe.Da mesma forma, quando se ausentam do acompanhamento da vida dos filhos de forma mais direta e presente, tendem a contribuir para que eles se tornem menos responsáveis no seu futuro profissional.É comum descobrir-se, nas origens do uso de drogas na adolescência, a falta ou ausência dos pais desde a infância. Mesmo morando com os filhos, existem pais que, por não acompanharem a vida e o desenvolvimento psicológico deles, contribuem para sérios problemas na formação e na relação deles com o mundo.O diálogo e a participação dos pais na vida quotidiana de seus filhos, principalmente na vida escolar, podem suprir a necessidade deles de entender o mundo e de descobrir o sentido da própria vida.Quando os pais são muito mais velhos que os filhos ou quando eles são criados pelos avós, nota-se também a mesma tendência em se tornarem mais frágeis e tendo mais dificuldade em enfrentar o mundo. Geralmente, pais que resolveram ter filhos acima dos quarenta anos tendem a não se envolver no desenvolvimento de suas personalidade, visto que, na maioria, buscam ocupações diferentes dos interesses deles. Esses pais, por estarem numa fase da vida de intensas preocupações com o resultado das escolhas que fez em sua própria, acabam por se distanciar mais de seus filhos.A permissividade para com os filhos facilita o surgimento do menor esforço na superação dos desafios naturais da vida.Os filhos que muito receberam e sentem dificuldades em enfrentar a vida devem ser influenciados ao necessário esforço e convidados a sair da persona, na qual estruturaram suas vidas.Foram criados como príncipes e têm dificuldades em deixar esse tão agradável lugar. Vivem numa ilha de fantasia. Suas mentes se encontram onde seus pais as colocaram.☯A autoridade representa a lei, a ordem, o limite e a disciplina na vida das pessoas. No psiquismo da criança é representada pelo arquétipo paterno que lhe impõe limites e orienta sua vida em relação ao mundo. Quando o pai não é de todo presente na vida da criança, ela elegerá alguém em quem projectará o arquétipo correspondente.Muitos espíritos reencarnam com dificuldade de lidar com limites. Às vezes, mesmo com o pai presente, mas que possui dificuldades de disciplinar e educar seus filhos quanto aos limites, o espírito persiste em sua rebeldia às leis.Não raro vemos crianças e adolescentes com dificuldades em aceitar a disciplina e em adotar uma conduta dentro da ordem e da lei. Mesmo que sejam repreendidos pelos pais ou responsáveis, teimam em agir da mesma forma numa demonstração de confronto e, às vezes, de revolta.Costumam, quando na escola, fazer travessuras e transgressões que chegam a preocupar seus pais que recebem admoestações de seus educadores. Quando não se tomam providências adequadas para as transgressões mais graves, por falta de orientação oportuna, o adolescente jovem poderá enveredar pela delinqüência.Muitas vezes os pais, sem que estabeleçam as causas da rebeldia, partem para punições inadequadas que podem exacerbar as atitudes inconseqüentes dos filhos. A eles deve ser devolvido o respeito pela autoridade que não foi possível apreender.O diálogo amigo sem agressividade e sem excessiva crítica ao pequeno rebelde, será sempre bem vindo e poderá ser a forma que lhe devolverá o senso de autoridade perdido ou não adequadamente edificado nele.☯ “Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.”37Inegavelmente o Cristo possuía a capacidade de curar o corpo e encaminhar a alma para que buscasse sua própria cura.Ao afirmar categoricamente ‘toma teu leito’ quis colocar a necessidade do indivíduo levar consigo seus pertences. Talvez, numa tentativa de esclarecimento àquele indivíduo para que percebesse que a ele mesmo competia carregar seus próprios processos. Por mais que ele curasse o corpo, haveria a necessidade do indivíduo fazer a sua parte, isto é, vivendo sua própria vida para fazer jus ao que recebeu.Receber ajuda não implica em abdicar do esforço pessoal na ascensão espiritual. Ao contrário, implica em responsabilidade por ter alcançado algo além de sua capacidade.Será sempre um convite a quem recebe ajuda, reciprocidade não apenas para quem o ajudou, mas, principalmente, devolvendo à Vida o que dela recebeu. Aquele que é beneficiado gratuitamente adquire na consciência o dever de corresponder tornando-se digno de seu benfeitor.O Cristo nos mostra o caminho, mas o esforço de subida será sempre de cada um. LIVRO Evangelho e Família Adenáuer Novaes