Sobre o Novo Ciclo

Sobre o Novo Ciclo

Depois de muitos anos de um ciclo ligado a Lis-Fátima, onde o contacto com uma realidade sagrada, perene, edénica, nos permeou a Alma e permitiu que a nossa consciência terrena pudesse contactar com a doçura, a suavidade e a paz desse centro, inicia-se agora um novo ciclo ligado a Lis-Lourdes.
Lis-Fátima, usando a simbologia da Flor-de-lis, representou a pétala dobrada do lado esquerdo, a primeira iniciação onde pudemos sentir os primeiros aromas da nossa Alma. Com a sua manifestação, todo um fluxo de conhecimento pôde ser apresentado ao homem da superfície do planeta, colocando-o em contacto com essa realidade interna e com isso, permitindo expansões de consciência importantes. Foi a sintonia com um éter edénico, com o manto da Mãe que nos acolheu, cuidou, embalou em nossas dores e curou muitas feridas.
Do conhecimento transmitido, ficámos a saber sobre os mundos internos, a perceber a importância desses reinos e a sua ligação com realidades cósmicas e supra-cósmicas. Ficámos a conhecer um pouco mais de Lis-Fátima, da sua ligação com a Nova Raça, com a Mãe, com os reinos Angélico e Dévico, com os códigos do homem primordial e a sua implementação na Nova Terra que se apresenta.
Ficámos também a saber sobre um centro jovem, com 12 mil anos de idade, plasmado pela mão de Shamballa, centro regente na altura. Conhecemos, igualmente, na palavra e no contacto directo, os seres que ali habitam, os seus Concelhos, as Sacerdotisas, os Espelhos, a própria topografia do centro e as suas construções.
Tudo isto é Lis-Fátima, um dos filamentos periféricos de LYS, mas nada disso é LYS, pois LYS é uma outra realidade ainda não contactada, a terceira pétala, a pétala central, de um ciclo que se seguirá ao de Lourdes.
Inicia-se agora o ciclo de Lis-Lourdes, a pétala dobrada do lado direito. Esta pétala representa a segunda iniciação e a travessia do deserto existencial que nos levará à consagração final.
Lis-Lourdes é a nudez de Francisco despido diante de seu pai terreno, é a simplicidade de uma acção humilde e transparente que nos impulsiona para o verdadeiro contacto com a essência. É o falar com os pássaros sem os querer instruir, é o acolher a Vida em toda a sua plenitude sem a querer direccionar ou julgar. É a entrega plena nas mãos do Pai, certos que nada faltará que seja essencial para a manifestação do propósito.
O novo ciclo pede-nos, por isso mesmo, que larguemos toda a nossa bagagem espiritual. Que deixemos pelo caminho tudo aquilo que julgamos saber sobre os mundos internos e as realidades superiores, para que o Novo possa ser tecido na carne que nos acolheu e através desta possamos alcançar a consagração final.
Não são tempos para procurar mais conhecimentos, para ler ou escrever sobre novas realidades internas, mas o tempo certo e exacto de expressar o SER no silêncio da radiação plena. Essa é a proposta de Lourdes, agora que termina o ciclo de Fátima.
Se no ciclo anterior todo um manancial de novas sementes chegou até nós, no novo ciclo é necessário começar a plantar essas sementes, tanto nos indivíduos que somos enquanto seres encarnados, como nos novos grupos a serem criados. Se continuássemos a receber sementes sem as plantar, todas acabariam por apodrecer. É, por isso mesmo, o tempo certo de fazer descer o conhecimento estabilizado no plano mental, para o plano físico, limpando o mental desse mesmo conhecimento, e com isso permitindo abrir os condutos de ligação da Alma com a personalidade para a diluição suave da acção do ego sobre nós.
Mas Lis-Lourdes traz também a formação de novos grupos. Não mais os grupos do ciclo anterior, onde as pessoas se juntavam, muitas vezes, por questões emocionais, movidas pela carência, e outras vezes por questões mentais, movidas pela curiosidade, mas a criação dos verdadeiros grupos que nascem da sintonia do contacto entre Almas. São grupos reservados, não publicitados nos meios espirituais, onde o verdadeiro trabalho de plantar e germinar as sementes do ciclo anterior poderá acontecer silenciosamente de forma despojada e despretensiosa. Serão estes grupos que servirão de base, no terceiro ciclo, para a manifestação de LYS no plano físico.
O terceiro ciclo, que se iniciará daqui a alguns anos, será finalmente o ciclo de LYS, a pétala central da flor que representa a terceira iniciação. E então toda uma nova instrução será revelada pela mão e pela voz daqueles que serão a manifestação Viva dessa mesma instrução. Enquanto no ciclo de Lis-Fátima era permitido que seres ainda não alinhados com a essência daquilo que transmitiam, pudessem passar conhecimentos sobre essas realidades internas, no terceiro ciclo será necessário que o ser seja esse conhecimento e essa instrução antes que a possa transmitir, já que com a terceira iniciação vem o verdadeiro Serviço e a filiação definitiva à Hierarquia.
Saberemos então sobre LYS, um dos centros mais antigos do planeta, irmã gémea de Shamballa, assim como Miz Tli Tlan o é de Iberah. Estes quatros centros formam a cruz planetária, formada apenas por centros responsáveis pela regência do planeta, sendo que LYS será o centro regente do sétimo ciclo planetário. Iberah do lado esquerdo da haste horizontal e Miz Tli Tlan do lado direito, como sustentadores polares da vida planetária. Lys na base da haste vertical e Shamballa no topo, como emissores e receptores da Vida Cósmica. Esta haste vertical é o verdadeiro fio Céu-Terra e será por ela que o Cristo encarnará toda a substância planetária. Mas primeiro temos que atravessar Lourdes na necessidade de nos despirmos para que nus de tudo o que é civilizacional e espiritual, possamos finalmente renascer nas águas do SER.
Que sejamos, pois, neste segundo ciclo, como o Ancião do Lago, de vestes simples e plenamente entregue no contacto com a essência. A sua instrução não estará apenas na palavra falada, nem na palavra escrita - essa é a metodologia do ciclo que se encerra -, mas na radiação plena da Luz por detrás de todo o conhecimento. O novo ciclo pede-nos esse despojamento, para que possamos finalmente assimilar em nós tudo o que já foi transmitido, e no silêncio profundo do contacto real, deixar que essa radiação toque a substância que nos envolve, iluminando-a.

Trigueirinho
P. E. 18-12-2008