APOIOS INEFICAZES


APOIOS INEFICAZES

Procurando fugir da realidade, o paciente portador de insegurança e que vive experiências perturbadoras, não poucas vezes recorre a mecanismos de apoio, a fim de evitar o enfrentamento com a própria consciência, sendo, por isso mesmo, vítima de transtornos comportamentais que vitaliza sistematicamente, por escassear-lhe o discernimento para o que é correto, razão pela qual a sua é uma conduta patológica.

A postura de vítima constante é uma das suas características, refugiando-se nesse esconderijo em busca de compaixão e de justificação para todos os seus desequilíbrios. Torna-se enfadonha, cansativa para os demais, a sua forma de apresentar-se sempre incompreendido, sem o menor esforço para compreender, tomando postura de responsabilidade dos atos.

Noutras vezes, passa de vítima a acusador inconseqüente, vendo o que lhe apraz e nunca identificando o que realmente acontece, complicando mais a situação em que se encontra.

Tem grande preocupação em conseguir aderentes desinformados para a sua área, usando recursos infantis ou perversos como a calúnia, a infâmia, a maledicência, desde que resultem ônus favoráveis para os objetivos que persegue.

A dissimulação é atitude habitual, variando de um para outro estado, de forma que se apresente com aparência jovial ou inocente, infeliz ou amargurada, a depender da circunstância e do objetivo que tem em vista.

Esse paciente recorre a esses apoios, que são ineficazes, por causa de sua personalidade infantil, sem desenvolvimento emocional, ingenuamente acreditando que, na falta de coragem para viver integralmente conforme as ocorrências, a sua existência deve transcorrer em plano de fantasia e irrealidade.

O ser psicológico maduro enfrenta desafios e vence-os com naturalidade, sem pressa, confiando no próprio crescimento e nos recursos de que possa usufruir na convivência social. Quando se fragiliza, pára, reflexiona e recomeça, procurando fortalecer-se na própria luta, evitando fugir, porquanto esse recurso não leva a nada.

Já o indivíduo imaturo não se enfrenta, nem a ninguém enfrenta, utilizando-se de mecanismos especiais para evitar definições, assumir compromissos e cumpri-los. Outras vezes, tem facilidade para comprometer-se, como forma de postergar decisões e soluções, transferindo, porém, sempre, a realização.

Serão necessários muitos esforços do paciente para libertar-se dessa tendência de recorrer a apoios ineficazes, porquanto perigosos, resolvendo-se pelas atitudes definidas, mesmo que a preço de esforço e luta. Em qualquer situação, ser-lhe-á sempre exigido o trabalho. Que o seja, portanto, quando para o êxito e não para a transferência; para o momento, ao invés do futuro; para a verdade e a libertação, em detrimento da fantasia e da ilusão que se dissipam, deixando-o no ar, em maior insegurança emocional e real.
Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco